No jardim da espera semeei sementes
De ilusões que me foram dadas
Sem nada pedir nem cobrar
Cada palavra dita fertilizou
Adubaste com cada gesto o solo
Infértil e árido do meu coração
Cultivei fantasias em função das tuas
Deixei-te prender e arraiguei-me
Às tuas vontades, aos teus quereres
Tiravas tuas fontes ao falar de saudade
Sugavas a minha atenção com teus escritos
Beijos cálidos eram roubados ao relento
Alimentando-me a necessidade de carinho
Entregues, corpos exibiam-se à noite
Até o dia em que foste colhido pelas
Insensíveis mãos do destino
Arrancaram-me a vida roubando-me o sonho
Rega-me agora a solidão com suas lágrimas
Areias sôfregas padecem
Revivo no deserto que havia em mim...