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Da varanda, vejo o sol caindo no poente, mergulhando
no oceano de nuvens avermelhadas que colorem o final
dessa tarde ...
Observo as sombras aninharem-se no galho das árvores,
percebo a noite que chega mansamente nas fachadas, nas
janelas, nas vidraças ...
Crianças voltam da escola em bandos barulhentos, cheios
de graça pueril, pessoas voltam apressadas para casa,
pois as horas parecem cobrar o regresso, oferecendo o
aconchego da volta,o reencontro, o abraço, a paz de quem retorna à sua
pátria ...
Olho ao meu redor, e não encontro nada,
senão silêncio e vazio,ecos, lembranças, memórias remendadas de sorrisos ...
Vasculho em meu peito as secretas gavetas de lembranças,
e delas retiro uma caixa de ilusões inesquecíveis,
bordada com fios de saudade e lágrimas pequeninas ...
Ali encontro nossa primeira estrela, nosso primeiro
beijo, a luz do teu olhar castanho, teu sorriso de
pérolas perfeitas, teu perfume verde e inebriante,
nossas promessas de amor que jamais aconteceram ...
Uma fita sedosa de luar dança no céu, anunciando a
procissão de brilhos que pertencem a outros corações
nesse momento ...
Fecho minha caixa de ilusões e acendo as luzes da
varanda.
A realidade diz que o teu amor passou por mim esteve em
mim mas não ficou aqui.
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